15 de maio de 2018

O lance que valeu o bi – Copa de 1962

Acompanhando a convocação do Tite para a Copa do Mundo da Rússia, lembrei dessa resenha sobre um lance decisivo que, praticamente, garantiu ao Brasil o título do Mundial de 1962. Lamento, mas não anotei de onde copiei a matéria abaixo. 


Chile 1962. O Brasil chegou para a copa como grande favorito. Afinal, do time que encantou o mundo quatro anos antes, apenas a dupla de zaga havia mudado: os reservas de 1958 Mauro e Zózimo agora eram titulares. Belini, o grande capitão, estava na reserva e Orlando Peçanha seu companheiro de zaga na Suécia que tinha sido vendido ao Boca Junior da Argentina, não foi convocado.

O Brasil acabou confirmando o favoritismo e conquistando o bicampeonato mundial. Entretanto, um lance que aconteceu na última partida da fase classificatória poderia ter mudado a história daquele mundial e a seleção teria voltado ainda na primeira fase da copa. 

O jogo decisivo do grupo foi no dia 6 de junho, contra a Espanha, no Estádio Sausalito, em Vinã del Mar. Quem perdesse estaria desclassificado. A seleção, que ainda não tinha engrenado na competição, venceu o México na estréia por 2 x 0, gols de Zagalo e Pelé, mas não jogou bem e empatou sem gols com a Tchecoslováquia na segunda partida. 

Vivia ainda um outro drama: Pelé, seu maior astro, havia se contundido contra os tchecos e estava fora da partida – e da copa. 

A Espanha havia vencido o México por 1 x 0 e perdido para os tchecos pelo mesmo placar. Se vencesse, faria quatro pontos, contra três do Brasil. No outro jogo do grupo, a Tchecoslováquia (hoje República Checa e Eslováquia, dois países), que empatara com o Brasil e vencera a Espanha, era franca favorita, contra os mexicanos, já desclassificados.

O jogo estava na metade do segundo tempo e os espanhóis, que jogavam melhor, venciam por 1 x 0, gol de Adelardo aos 35 minutos da primeira etapa. O Brasil procurava o empate a todo custo e deixava a defesa desprotegida. Num contra-ataque da Espanha, o veloz ponteiro Collar, escalado pelo técnico para explorar a falta de velocidade de Nilton Santos, que já estava com 37 anos, disputou uma bola com o lateral brasileiro e foi derrubado dentro da área. Pênalti claro! Nilton, com a experiência de quatro copas do mundo, deu dois passos pra frente e se posicionou em cima da linha, iludindo ao árbitro, que marcou falta fora da área. 

O lance polêmico: Nilton Santos dá dois passos para fora da área após falta em Collar (Foto: Editoria de Arte/Globo Esporte)
O lance despertou a equipe brasileira e logo depois, Amarildo, o jovem substituto de Pelé, escorando um cruzamento de Zagalo, empatou a partida. Aos 40 minutos, o ponteiro Garrincha, em uma jogada sensacional, passou por dois espanhóis e centrou a bola na medida para Amarildo fazer, de cabeça, o gol da virada.

A partir dessa partida o Brasil engrenou de vez, vencendo consecutivamente a Inglaterra por 3 x 1, o Chile por 4 x 2 e a Tchecoslováquia, na final, por 3 x 1. Garrincha, o demônio das pernas tortas, chamou para si a responsabilidade, na ausência de Pelé, fazendo a maior exibição individual que um jogador já fez até hoje em copas do mundo. Eleito por unanimidade o maior jogador da competição, foi o grande responsável pelo título. 

Entretanto, nada disso poderia ter acontecido. A astúcia e a experiência de Nilton Santos, a enciclopédia do futebol, foi decisiva naquele lance que acabou valendo por um bicampeonato. 
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